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Curiosidades da Maçonaria

A Força dos Princípios. Como a União e a Determinação Moldaram a Independência do Brasil

Arlindo Chapeta
A Força dos Princípios. Como a União e a Determinação Moldaram a Independência do Brasil

A liberdade de uma nação não nasce em um único dia. Ela é construída ao longo do tempo, quando ideias encontram coragem, lideranças assumem responsabilidades e homens decidem transformar convicções em ação.

Foi assim com o Brasil.

Quando celebramos o 7 de Setembro de 1822, é natural que nossa memória nos leve às margens do Ipiranga e à figura de D. Pedro. Mas a Independência brasileira não começou naquele momento. O gesto que entrou para a História foi a culminação de um processo político, econômico e social muito mais amplo.

A chegada da Família Real portuguesa ao Brasil, em 1808, modificou profundamente a posição da colônia. A abertura dos portos, a instalação de instituições administrativas e, posteriormente, a elevação do Brasil à condição de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 1815, criaram uma realidade que dificilmente poderia ser revertida.

O Brasil havia mudado. E uma parcela importante de suas lideranças já compreendia que o futuro exigiria novos caminhos.

Ideias que prepararam a Independência

As grandes transformações políticas raramente acontecem apenas nos palácios. Antes de chegarem às ruas e aos governos, elas amadurecem no debate, na circulação de ideias e na capacidade de articulação entre pessoas que compartilham determinados objetivos.

Nesse ambiente, a Maçonaria brasileira teve participação relevante.

Em 1822, nasceu o Grande Oriente do Brasil, reunindo Lojas e importantes personagens daquele momento histórico. Entre os nomes relacionados à Maçonaria e ao processo de Independência encontramos figuras como José Bonifácio de Andrada e Silva, Joaquim Gonçalves Ledo e o próprio D. Pedro.

Não estavam sempre de acordo. Pelo contrário. Existiam diferenças de pensamento, projetos políticos distintos e disputas sobre os rumos que o novo país deveria seguir.

Talvez esteja justamente aí uma das grandes lições daquele período.

Homens podem divergir sobre os caminhos e, ainda assim, compreender que existe um objetivo maior a ser alcançado.

Ao lado da atuação maçônica, outras organizações e espaços de articulação política, entre eles o Apostolado, também participaram daquele intenso movimento de ideias. A Independência não foi obra exclusiva de uma instituição ou de um grupo. Foi resultado da convergência de diferentes forças e circunstâncias históricas.

Mas seria igualmente injusto ignorar o papel desempenhado pela Maçonaria e por importantes maçons naquele processo.

Quando não havia mais espaço para retroceder

Do outro lado do Atlântico, as decisões das Cortes portuguesas aumentavam a tensão.

As tentativas de reduzir a autonomia conquistada pelo Brasil após a chegada da Corte portuguesa, juntamente com as determinações para o retorno de D. Pedro a Portugal, produziram forte reação entre setores da sociedade brasileira.

O Dia do Fico, em 9 de janeiro de 1822, tornou-se um dos grandes marcos dessa resistência.

A partir daquele momento, os acontecimentos se aceleraram.

As articulações políticas cresceram, as posições ficaram mais definidas e a separação tornou-se cada vez mais provável. Quando chegou setembro de 1822, muito do terreno político da Independência já havia sido preparado.

O Ipiranga representou a ruptura definitiva que transformou em símbolo aquilo que vinha sendo construído havia meses e, em alguns aspectos, anos.

O que 1822 ainda pode nos ensinar?

Mais de dois séculos depois, não devemos olhar para a Independência apenas como uma sequência de datas, personagens e acontecimentos.

Devemos procurar compreender seus ensinamentos.

Aquela geração demonstrou que grandes mudanças exigem princípios, planejamento, coragem, capacidade de diálogo e determinação.

E existe uma mensagem particularmente atual nessa história, nenhum país constrói um grande futuro quando seus cidadãos deixam de acreditar que possuem responsabilidade sobre o destino da própria sociedade.

Liberdade não significa apenas romper correntes.

Liberdade significa assumir responsabilidades.

Soberania não é somente uma condição política de um Estado. É também a capacidade de uma sociedade decidir seu caminho, preservar suas instituições e construir seu futuro sem abandonar os princípios que sustentam sua existência.

Por isso, o 7 de Setembro não deve ser apenas uma celebração do que conquistamos em 1822.

Deve ser também uma reflexão sobre o Brasil que estamos construindo hoje.

Os homens daquela época tiveram diante deles um país ainda por nascer. Nós recebemos esse país como legado.

Cabe a cada geração decidir o que fará com ele.

Que a coragem daqueles que trabalharam pela emancipação brasileira continue nos inspirando a defender a liberdade, buscar a justiça, respeitar nossas diferenças e colocar os interesses da Nação acima das conveniências individuais.

Porque independência se conquista em determinado momento da História.

Mas liberdade, soberania e democracia precisam ser construídas e preservadas todos os dias.

Viva o 7 de Setembro.
Viva a Independência.
Viva a liberdade.
Viva o Brasil! 🇧🇷

Arlindo Batista Chapeta
Presidente da Academia Maçônica de Letras da Baixada Santista

Arlindo Chapeta

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