O amor ao próximo e as boas ações raramente ocupam espaço de destaque nos grandes portais de notícias e nos principais meios de comunicação. Como responsável pela comunicação oficial do Grande Oriente do Brasil, acompanho diariamente veículos como Globo, R7, UOL, IG, Yahoo e diversos outros canais de informação. Ao observá-los, percebo algo em comum: grande parte do conteúdo consumido diariamente está relacionada a conflitos, violência, escândalos, disputas políticas, esportes, celebridades e entretenimento.
Pouco se fala sobre filantropia, desenvolvimento humano, fortalecimento da família, respeito ao meio ambiente, cultura, cidadania ou exemplos inspiradores capazes de transformar positivamente a sociedade.
Diante dessa realidade, surge uma reflexão importante: os meios de comunicação são realmente os responsáveis por essa escolha editorial? Ou será que as boas ações simplesmente não despertam o mesmo interesse do público? Será que notícias positivas não geram a mesma audiência que os conflitos e as controvérsias? Ou, ainda, será que nós, como sociedade, estamos deixando de valorizar aquilo que realmente importa?
A verdade é que essa questão deve nos preocupar.
Nós, maçons e nossas famílias, fazemos parte da mesma sociedade e estamos expostos diariamente ao mesmo fluxo de informações. De uma forma ou de outra, também vivemos dentro dessa mesma realidade informativa. E é natural que isso produza reflexos em nossa maneira de pensar, agir e compreender o mundo.
Tudo está conectado.
O excesso de informações superficiais, o imediatismo e a constante exposição a conteúdos negativos influenciam diretamente o comportamento humano. Esse impacto não fica restrito ao ambiente externo; ele também alcança nossas instituições, nossas famílias e, naturalmente, a própria Maçonaria. Em alguns momentos, pode até dificultar reflexões mais profundas e o desenvolvimento de uma cultura voltada ao conhecimento, à fraternidade e ao aperfeiçoamento humano.
Talvez por isso seja tão importante que esse debate aconteça dentro de nossas Lojas e de nossos lares.
Precisamos refletir sobre o tipo de informação que consumimos, compartilhamos e valorizamos. Precisamos incentivar a busca pelo conhecimento, pela cultura, pela espiritualidade, pela solidariedade e pelos exemplos que inspiram a construção de uma sociedade melhor.
Não se trata de ignorar os problemas do mundo ou fechar os olhos para as dificuldades da realidade. Trata-se de compreender que uma sociedade equilibrada precisa conhecer seus desafios, mas também precisa reconhecer e valorizar aqueles que trabalham diariamente para superá-los.
As boas ações talvez não ocupem as manchetes com a mesma frequência que os conflitos, mas continuam transformando vidas todos os dias. Milhares de pessoas e instituições dedicam seu tempo, seus recursos e seus esforços para ajudar o próximo, promover a educação, preservar o meio ambiente, fortalecer famílias e construir comunidades mais justas e solidárias.
Talvez o verdadeiro desafio não seja apenas produzir boas notícias, mas formar pessoas capazes de reconhecê-las, valorizá-las e multiplicá-las.
Se desejamos uma sociedade melhor, devemos começar valorizando aquilo que há de melhor nela.
Fraternalmente,
Arlindo Batista Chapeta
Secretário Geral de Comunicação do GOB