Quando estudamos as Doze Tribos de Israel no Sagrado Arco Real, encontramos muito mais do que uma referência à história do povo hebreu. Encontramos uma mensagem sobre organização, unidade e propósito.
As tribos tiveram origem nos filhos de Jacó, chamado Israel: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Dã, Naftali, Gade, Aser, Issacar, Zebulom, José e Benjamim.
Há uma particularidade importante. José também é representado por seus filhos, Efraim e Manassés, enquanto Levi foi separado para o serviço religioso. Por isso, encontramos diferentes formas de apresentar as tribos nas Escrituras, mantendo-se o número doze como representação da totalidade de Israel.
No livro de Números encontramos uma organização que possui grande força simbólica. Durante a caminhada pelo deserto, as tribos se posicionavam ao redor do Tabernáculo em quatro grandes grupos.
Ao Oriente, Judá, acompanhado de Issacar e Zebulom.
Ao Sul, Rúben, com Simeão e Gade.
Ao Ocidente, Efraim, com Manassés e Benjamim.
Ao Norte, Dã, com Aser e Naftali.
Esses quatro grandes agrupamentos deram origem, em tradições posteriores, à associação com quatro importantes estandartes: o Leão, ligado a Judá; o Homem, a Rúben; o Boi, a Efraim; e a Águia, tradicionalmente relacionada a Dã em determinadas interpretações.
Cada imagem carrega uma mensagem. O Leão nos lembra força e liderança. O Homem, consciência e inteligência. O Boi, trabalho e perseverança. A Águia, a capacidade de elevar a visão e enxergar além do imediato.
Mas existe um detalhe ainda mais importante.
No centro estava o Tabernáculo.
Nenhuma tribo ocupava o centro. Nenhum estandarte era maior do que aquilo que reunia todos eles. Homens diferentes, com funções e características diferentes, permaneciam organizados ao redor do Sagrado.
Essa antiga imagem continua falando diretamente conosco.
Em nossos Capítulos também encontramos homens de diferentes origens, profissões, idades e pensamentos. Cada Companheiro possui suas qualidades e sua própria caminhada. O que nos une não é sermos iguais, mas reconhecermos que existe algo maior do que nossas diferenças.
O mesmo vale para nossas funções. Alguns possuem capacidade de liderança, outros de ensinar, organizar, trabalhar ou aconselhar. Todos têm importância quando compreendem que estão servindo a um propósito comum.
Talvez essa seja uma das grandes mensagens das Doze Tribos para o homem de hoje.
Podemos carregar estandartes diferentes, mas precisamos preservar o mesmo centro.
Quando a vaidade, os cargos e as disputas pessoais ocupam esse lugar, a fraternidade perde força. Quando colocamos no centro Deus, o conhecimento, a família, a fraternidade e nosso aperfeiçoamento como homens, encontramos novamente a direção.
O Sagrado Arco Real nos convida exatamente a isso: não apenas conhecer símbolos, mas compreender o que eles podem transformar dentro de nós.
As Doze Tribos estavam distribuídas pelas quatro direções, cada uma com sua identidade, mas todas voltadas para um mesmo centro.
Milhares de anos depois, permanece uma pergunta que cada Companheiro pode fazer a si próprio:
O que tenho colocado no centro da minha caminhada?
Arlindo Batista Chapeta
Pró-Primeiro Grande Principal do Supremo Grande Capítulo dos Maçons do Sagrado Arco Real do Brasil – GOB