Dando continuidade à nossa reflexão sobre o uso da Inteligência Artificial nas atividades e produções maçônicas, entendo que essa ferramenta possui grande utilidade e estará cada vez mais presente em nossas vidas.
Em um espaço de tempo muito curto, as ferramentas de Inteligência Artificial ocuparão papel central nos mecanismos de busca e pesquisa, transformando gradativamente a forma como utilizamos plataformas como Google, Bing, Yahoo e tantas outras. Já é possível observar essas empresas reformulando suas estruturas e direcionando investimentos para essa nova realidade tecnológica.
Na Maçonaria, o debate, a reflexão e o aprimoramento intelectual em Loja sempre foram alguns de nossos maiores patrimônios. Vivemos, porém, um novo momento, no qual a Inteligência Artificial tem assumido papel relevante na forma como buscamos, organizamos e acessamos o conhecimento. Diante disso, surge uma questão importante: seu uso é realmente tão prejudicial quanto alguns imaginam? Ela pode ser utilizada como ferramenta de pesquisa e aprendizado?
Em minha opinião, esse é o ponto central do equilíbrio no uso da Inteligência Artificial.
A tecnologia pode ser uma excelente fonte para pesquisas, levantamento de informações, referências bibliográficas e materiais de estudo. Entretanto, considero essencial que, após a leitura e análise desses conteúdos, sejamos nós mesmos os responsáveis pela construção do pensamento, da reflexão e do trabalho que será apresentado.
A Maçonaria sobreviveu a séculos de transformações sociais, científicas e tecnológicas porque sua essência não está nos livros, nos manuais ou nas ferramentas, mas na experiência vivenciada, no simbolismo, na convivência fraterna e na transmissão do conhecimento de homem para homem. A Inteligência Artificial pode apresentar informações históricas, filosóficas e simbólicas com grande riqueza de detalhes, mas jamais compreenderá o significado íntimo de uma iniciação, a emoção de uma cerimônia ou o peso de um momento de silêncio em Loja. O conhecimento produzido pela Inteligência Artificial é baseado em dados, padrões e probabilidades; o conhecimento maçônico, por sua vez, é essencialmente humano, experiencial e moral.
Portanto, a Inteligência Artificial pode auxiliar na revisão ortográfica e gramatical, apontando eventuais erros ou sugerindo melhorias na redação. Ainda assim, as correções e alterações devem ser compreendidas, avaliadas e realizadas conscientemente pelo próprio autor, preservando sua identidade intelectual e sua capacidade de expressão.
A Inteligência Artificial é uma ferramenta inovadora, produtiva e extremamente útil. Sua utilização é bem-vinda em praticamente todos os segmentos da sociedade. Contudo, ela não pode ocupar o lugar do pensamento humano, não pode substituir nossa capacidade de reflexão, nem se tornar responsável pela formação de nossa cultura, nossos valores e nossa essência.
Deve ser compreendida como um instrumento de pesquisa, apoio e aperfeiçoamento, especialmente nas áreas acadêmica, cultural e profissional, e não como substituta da inteligência, da criatividade, da consciência e da responsabilidade humanas.
Saber identificar quando o uso da Inteligência Artificial é necessário e quando devemos deliberadamente abrir mão dela para preservar nossa capacidade de pensar, criar, analisar e evoluir por nossos próprios méritos talvez seja um dos grandes desafios do nosso tempo.
Espero que nós, maçons e cidadãos, possamos compreender essa realidade e encontrar o equilíbrio necessário para utilizar essa poderosa ferramenta sem perder aquilo que nos torna verdadeiramente humanos.
Fraternalmente,
Arlindo Batista Chapeta
Secretário Geral de Comunicação do GOB