Uma das perguntas mais frequentes feitas pela sociedade é: o maçom acredita em Deus? E mais: a Maçonaria é uma religião?
Essas dúvidas acompanham a Maçonaria há séculos e, muitas vezes, surgem em razão do desconhecimento sobre seus princípios e objetivos. Por isso, é importante esclarecer essa questão de forma simples e objetiva.
A Maçonaria não é uma religião. Ela não possui dogmas religiosos, sacramentos, culto próprio ou uma doutrina de salvação. Também não pretende substituir qualquer religião ou interferir na fé individual de seus membros.
Contudo, a crença em Deus, entendido como o Supremo Criador do Universo, é um dos fundamentos essenciais da Maçonaria Regular.
O maçom, em sua jornada de aperfeiçoamento, busca constantemente o desenvolvimento intelectual, moral e espiritual. Mas como poderíamos falar em desenvolvimento espiritual sem reconhecer a existência de um Ser Superior, uma Inteligência Criadora ou um Princípio Divino que esteja acima da condição humana?
A Maçonaria possui uma profunda dimensão espiritual em seus ensinamentos. Seus símbolos, alegorias e reflexões conduzem o homem à busca do sagrado, do autoconhecimento, do propósito da existência e da compreensão de seu papel no mundo. Essa caminhada não se realiza por meio de dogmas impostos, mas através da reflexão, da consciência e da experiência pessoal de cada indivíduo.
Para que essa espiritualidade possa florescer, é necessária a crença em um princípio superior, razão pela qual a Maçonaria exige de seus membros a crença em Deus, independentemente da religião que professem.
Dentro da Ordem convivem homens de diferentes crenças e tradições religiosas. Cristãos, judeus, muçulmanos, espíritas e membros de diversas outras religiões compartilham o mesmo espaço fraternal. O que os une não é uma religião comum, mas a certeza de que existe um Ser Supremo, ao qual cada um se dirige segundo os ensinamentos de sua própria fé.
Assim, cada maçom traz para dentro da Loja sua convicção religiosa pessoal e sua compreensão do Divino, sempre respeitando a liberdade de consciência dos demais irmãos.
Mais do que acreditar em Deus, espera-se que o maçom demonstre essa crença por meio de suas atitudes. A retidão de caráter, a honestidade, a moralidade, a caridade e o amor ao próximo são valores que devem ser praticados diariamente. Afinal, não basta professar uma crença; é necessário transformá-la em ações concretas que contribuam para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e humana.
O maçom procura ser um instrumento do bem, compreendendo que suas ações possuem reflexos não apenas na sociedade em que vive, mas também em sua própria evolução espiritual. Ao agir com bondade, justiça e fraternidade, fortalece os valores que sustentam a convivência humana e contribui para a construção de um mundo melhor.
Por isso, afirmar que a Maçonaria exige a crença em Deus não é apenas reconhecer uma regra institucional. É compreender que a busca pelo aperfeiçoamento humano e espiritual está diretamente ligada ao reconhecimento de um princípio criador e superior, que inspira o homem a elevar seus pensamentos, suas atitudes e sua própria existência.
Fraternalmente,
Arlindo Batista Chapeta
Secretário Geral de Comunicação do GOB