Os maçons sempre estiveram na vanguarda da defesa do livre pensar, atuando como verdadeiros construtores de ideias na sociedade. Olhando para trás, fica claro como os debates e as diferentes correntes de pensamento nutridas dentro da Ordem impulsionaram transformações profundas no conhecimento humano e na vida civil.
Essa liberdade sempre foi o eixo central na formação de líderes, tanto dentro quanto fora dos nossos templos. Nossas oficinas foram palco de discussões que moldaram os rumos do país e do mundo: os caminhos da Independência, os dilemas do Império e da República, a abolição da escravidão, os impactos da industrialização, as grandes guerras, os sistemas econômicos e a própria consolidação da democracia.
O ponto mais fascinante dessa trajetória, contudo, é que esses episódios quase nunca contaram com um pensamento único. Em praticamente todos esses momentos, houve maçons defendendo posições distintas, às vezes diametralmente opostas.
E é aí que reside a maior riqueza da Maçonaria: a capacidade singular de reunir homens com visões de mundo completamente diferentes sob o mesmo teto, garantindo que o respeito mútuo prevaleça sobre qualquer divergência.
Afinal, a verdadeira liberdade de pensamento não serve para ecoar apenas o que nos agrada.
Ela se prova de verdade quando nos dispomos a ouvir o que diverge de nós, sem que a discordância vire hostilidade. Respeitar o direito do outro de pensar, crer e se expressar de forma diferente não é fraqueza; é sinal de maturidade, equilíbrio e civilidade.
Como estudantes dedicados da moral, da ética e do desenvolvimento humano, cabe a nós sermos guardiões firmes dessa livre manifestação. Mesmo diante de uma opinião que não compartilhamos, precisamos lembrar que proteger o direito de fala do irmão é, no fundo, proteger a própria essência que sustenta a nossa instituição.
Uma sociedade verdadeiramente livre não se faz com mentes moldadas pelo mesmo fôrmas, mas sim com a coexistência pacífica das diferenças, amparada pelo diálogo e pela fraternidade.
Defender a liberdade de pensamento é blindar a dignidade humana.
É manter viva uma instituição que sempre soube que a luz do conhecimento só nasce quando permitimos o encontro sincero e fraterno de diferentes ideias.
Arlindo Batista Chapeta
Secretário Geral de Comunicação
Presidente da Academia Maçônica de Letras da Baixada Santista